domingo, 20 de maio de 2012



A moça era doce, não poderia negar mesmo se quisesse, seria blasfêmia mentir tão descaradamente. Não doce enjoativo com aquele soar de sonsa que repelia quem trocava uma ou duas palavras no decorrer do dia, mas em pequenas doses, fazendo-o ansiar por mais, desejando segurar-lhe a mão e pedir que fique um pouco mais. Queria imaginar seu gosto, seu olhar de travessa que lhe fazia sorrir. Ela era assim, desenhadora de sorrisos. Era passar por seu caminho e ser contagiado por sua gentileza. Era mulher, via em seus olhos marcas escondidas no coração. Era criança, há quilômetros enxergavam seus sonhos de felizes para sempre. E pensavas que, com ela, felicidade e eternidade eram cabíveis. Quase certas. Aquela menina, de tão apaixonada, tornou-se apaixonante. Era vê-la passar, que seus olhos céticos tornavam-se ternos, e seu peito sombrio transformava-se em jardim. E nele havia flores. Veja só, flores! E era assim que a chamava, a moça das flores. Que de seu coração fez jardim; e de seu peito, morada.

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